quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sobre Política II

Venho acompanhando com relativa atenção a movimentação política na timeline do meu Facebook nos últimos dias. Considerando que não tenho mais a malemolência necessária para sobreviver no Twitter (rede social, inclusive, que impulsionou a criação desse blog láááá em 2010), o FB tem sido um dos poucos lugares que me permitem fazer uma análise, obviamente parcial e superficial, do comportamento dos eleitores brasileiros em tempos de eleições presidenciais.

Antes de expor minhas observações, preciso destacar que minha rede de contatos é bastante limitada. Devido ao meu histórico em RPGs de fórum, tenho a vantagem de observar pessoas das mais diversas regiões do país, mas ainda assim a maioria dessas pessoas é composta por gente branca/parda, de classe média, com idades entre 18 a 30 anos, com ensino superior cursando ou completo, moradores de grandes regiões metropolitanas, ainda moram com os pais e com acesso extenso a cultura. Então, levem em consideração que minha "experiência" foi feita com esse padrão de "amostragem".

Vou elencar minhas quatro principais observações em tópicos porque adquiri essa mania e o blog é meu e eu faço o que eu quiser 2bjos:

1) Política, BBB, futebol e fofoca de vizinhos é tudo a mesma coisa. Até agora não encontrei entre meus contatos alguém que faça campanha baseado nas propostas e análise de trajetória político-pessoal de seus candidatos. Ao invés disso, enchem a timeline com publicações que vão de difamações sutis até montagens absurdas de vídeos e acusações esdrúxulas que envolvem espancamento, estupro e gatinhos fofos. Não sei nada sobre as propostas de campanha da Dilma, da Marina e do Aécio, mas tô super por dentro de todos os podres, babados, confusões e gritaria em que eles estiveram envolvidos.


2) Em 2014 as pessoas ainda não sabem usar o Google. Mesmo com ferramentas de pesquisa poderosas, o eleitorado brasileiro ainda prefere acreditar no disse-me-disse (que se ampliou através dos compartilhamentos no Facebook). Não há também a menor preocupação em buscar dados reais, aprender conceitos simples e pesquisar a História do Brasil. Pessoal às vezes não sabe nem do que tá falando.


3) Não elegemos um presidente e sim um rei absolutista. As pessoas não têm a menor noção do que um presidente realmente faz e nem quais são os limites para suas decisões. Pior que isso, é não fazer a menor ideia da função dos senadores e deputados e negligenciarem por completo o cuidado com a escolha desses últimos. Você pode sair da Colônia, mas a Colônia não sai de você.


4) Fiscalizar o cu alheio vira proposta de governo. Junto com saúde, educação, segurança pública e desemprego, esse ano temos muitos candidatos - e defensores desses candidatos - que baseiam sua plataforma de governo no posicionamento a favor ou contra a homossexualidade. O mais incrível é que as propostas dessa área são as únicas elaboradas de forma estratégica e apresentadas de forma clara, mesmo que sejam totalmente sem noção.


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Diante de tudo isso, cheguei à conclusão de que não estamos nem perto das mudanças que tanto almejamos. Os eleitores torcem pelos seus candidatos da forma apaixonada dos torcedores fanáticos de times de futebol e esquecem que o período eleitoral na verdade se parece mais com uma entrevista de emprego para escolher seus funcionários pelos próximos anos.

A vida era bem mais fácil na época do Orkut.